A Saga de Elric, de Michael Moorcock, em prosa

A Pipoca & Nanquim lançou nas livrarias A Saga de Elric, o primeiro de três volumes da obra máxima do escritor britânico Michael Moorcock. O material surgiu originalmente em 1961 nas páginas da revista Weird Fantasy.

O imperador de uma nação decadente, destinado a destruir seu próprio povo. Conheça Elric, o mais sombrio clássico da espada e feitiçaria e uma das sagas da literatura de fantasia mais influentes já escritas!

Condenada à memória de um passado glorioso, a ilha de Melniboné é hoje um império em crise, consumido pela crueldade e pelo sadismo. Seu imperador, o soturno Elric, um jovem magro, albino e de olhos vermelhos, não representa o típico herói honrado e decidido, mas um governante trágico, amaldiçoado pela profecia de que será o responsável pela queda de sua pátria. Diante disso, seu impiedoso primo Yrkoon aproveita-se do ambiente de caos para cometer uma traição, almejando tomar o trono. Mas Elric, um soberano atormentado pela dúvida e pela culpa, poderá se mostrar o mais implacável anti-herói já visto.

Com seu clima sombrio, personagens complexos, comentários políticos, religiosos e filosóficos, e reflexões profundas sobre o colonialismo e os perigos do poder, a série revolucionou o mundo da Espada e Feitiçaria, inaugurando uma tradição que vai na direção oposta de autores canônicos como Tolkien e Lewis, e influenciando nomes na literatura, no cinema, nos quadrinhos e até na música, como Alan Moore, Clive Barker, George R. R. Martin, Kentaro Miura, além de bandas como Blind Guardian e Blue Öyster Cult.

Marco incontornável da escrita fantástica e pela primeira vez no Brasil de forma completa, A Saga de Elric – Livro 1 tem arte de capa de Michael Whelan, um dos principais ilustradores que ajudaram a definir o visual do melniboneano. Prefácio de Neil Gaiman e extras com a trajetória editorial do personagem completam a edição. Capa dura com 700 páginas.

Algumas informações

Nos quadrinhos, a primeira aparição de Elric foi um encontro com Conan, o Bárbaro, em duas aventuras publicadas originalmente em 1972, nas edições #14 e 15 de Conan the Barbarian, produzidas por Roy Thomas, Barry Windsor-Smith e Sal Buscema, baseadas em um conto de Michael Moorcock e James Cawthorn. A história estreou no Brasil no segundo número de Dr. Mistério, em dezembro do mesmo ano da publicação original, pela editora Minami & Cunha. A segunda parte saiu já no mês seguinte, em janeiro de 1973, pela editora Graúna, no primeiro número de Hartan, O Selvagem.

A história foi republicada em setembro de 1982, desta vez pela Editora Abril, onde a primeira parte saiu Heróis da TV #39 e a segunda em Superaventuras Marvel #3. Em 1988, ainda pela Abril, as duas aventuras foram recolorizadas pelo brasileiro Noriatsu Yoshikawa e estrelaram o terceiro número de A Espada Selvagem de Conan em Cores. Já em 2001, as duas partes foram novamente reunidas e republicadas, agora em preto e branco, na edição #201 de A Espada Selvagem de Conan, um dos derradeiros números da saudosa publicação, também pela Abril. O material saiu novamente quase duas décadas depois em duas coletâneas: em 2019, pela Mythos, no terceiro volume de As Crônicas de Conan, e em 2020, no primeiro volume de Conan O Bárbaro – A Era Marvel, pela Panini Comics.

Além desse clássico crossover, em 1990, a Editora Globo trouxe Elric – A Cidade dos Sonhos (Elric: The Dreaming City), quarto volume da série Graphic Globo, que por sua vez foi o segundo lançamento da coleção Marvel Graphic Novel, publicada originalmente pela Marvel Comics – cortesia de Roy Thomas e P. Craig Russell. Já no ano seguinte, agora pela Editora Abril, foi a vez de Elric – Navegante dos Mares do Destino (Elric: The Sailor on the Seas of Fate), minissérie em quatro edições publicada originalmente em 1986, lá fora em sete números, pela First Comics, com produção de Roy Thomas, Michael T. Gilbert e George Freeman.

Elric foi reaparecer por aqui somente em 2017 e 2021, pela Mythos, que trouxe dois álbuns – O Trono de Rubi e O Lobo Branco, respectivamente – que reuniram as aventuras belamente produzidas para o mercado franco-belga pela Glénat, com roteiro, arte e cores de Julien Blondel, Jean-Luc Cano, Didier Poli, Robin Recht, Julien Telo, Jean Bastide, Scarlett Smulkowski e Stephane Paitreau.

Por fim, em 2022, a mesma Pipoca & Nanquim lançou Elric – Stormbringer, primeiro volume da Biblioteca Michael Moorcock, trazendo aqui os sete números da minissérie publicada originalmente em 1997 nos Estados Unidos pela Dark Horse em parceria com a Topps Comics, com roteiro e arte de P. Craig Russell, acompanhado pelas cores de Lovern Kindzierski e Digital Chameleon. Não menos importante, Elrod, o Albino, uma clara (e talvez descarada) homenagem ao Elric de Melniboné de Moorcock, deu as caras no primeiro volume de As Espadas de Cerebus, lançado por aqui no final do ano passado pela Futuro, edição que reúne os quatro primeiros números de Cerebus, o aardvark, criação do cartunista canadense Dave Sim, publicadas originalmente entre 1977 e 1978 para o mercado canadense e norte-americano, material que ainda se encontrava inédito no Brasil.

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