
A estreante Futuro acaba de lançar no Catarse a campanha de financiamento do primeiro volume de As Espadas de Cerebus, coleção que inicia no Brasil a publicação das histórias de Cerebus, a criação máxima do cartunista canadense Dave Sim. Publicada originalmente a partir de 1977, a série foi lançada ininterruptamente até 2004, finalizando com a edição #300.
O personagem é um porco-da-terra (aardvark, no original) antropomórfico que assume vários papéis ao longo da série, desde um bárbaro, passando por primeiro-ministro e até um papa. A série se destaca pela experimentação de forma, conteúdo e pela destreza de sua arte, especialmente depois que os planos de fundo passaram a ser produzidos por Gerhard a partir da 65ª edição, auxiliando o cumprimento de prazos de Sim.

A história de Cerebus começou como uma paródia de espada e feitiçaria, principalmente a versão da Marvel de Conan, o Bárbaro. No entanto, evoluiu para explorar uma variedade de outros assuntos, incluindo política, religião e questões de gênero. Com um total de 6000 páginas, a série progressivamente se tornou mais séria e ambiciosa do que suas raízes paródicas, transformando-se em algo muito mais complexo e interessante.
Já a arte, aparentemente grosseira no início, com toques que lembram os primórdios da carreira de Barry Windsor-Smith, vai tomando forma com o passar das edições, até chegar ao traço único e exclusivo de Dave Sim. O início de Cerebus é a mais valiosa preparação para as histórias que virão à frente, trazendo um grande elenco de apoio, muitos dos quais começaram como homenagens a personagens dos quadrinhos e da cultura popular. Sem contar que, conforme a série vai caminhando, podemos notar o envelhecimento do nosso herói e dos demais protagonistas em tempo real, pois, apesar de longa, trata-se de uma obra com início, meio e fim.

Lá fora, os 300 números de Cerebus foram reunidos em 16 volumes, conhecidos como “as listas telefônicas de Cerebus” por conta de suas grandes quantidades de páginas, uma novidade na época do lançamento de tais edições. Aliás, foi Dave Sim que, com seus “phone books”, deu origem aos famosos trade paperbacks, os conhecidos encadernados que vemos hoje nas bancas, livrarias e comic shops do mundo inteiro.
Publicado no Canadá através da Aardvark-Vanaheim, a posição de Sim como um autoeditor pioneiro de quadrinhos inspirou vários outros artistas que vieram depois dele, como Jeff Smith (Bone), Terry Moore (Estranhos no Paraíso), Kevin Eastman & Peter Laird (Tartarugas Ninja), Stan Sakai (Usagi Yojimbo), entre muitos outros, sendo provavelmente o criador mais influente dos anos 1980.
Cerebus é considerado por vários especialistas como um dos maiores personagens de quadrinhos de todos os tempos. A revista Wizard classicou o porco-da-terra na 63ª posição, enquanto a Empire Magazine classificou Cerebus na 38ª, descrevendo-o como “um personagem nascido de um brilho bizarro”. Já o IGN colocou o personagem na 91ª posição como o maior herói dos quadrinhos de todos os tempos, afirmando que “poucos nomes têm tanta influência na cena independente de quadrinhos quanto Cerebus” e “a marca de Cerebus na indústria será eterna”.

Considerada em um todo como uma grande história e uma das maiores obras de arte do século XX, a série Cerebus foi, e ainda é, frequentemente elogiada – e às vezes criticada – por sua mudança de tom no decorrer dos arcos – mas a história e as intenções por trás disso tudo são puramente geniais, pois a obra carrega muito das diversas fases dos 27 anos que decorreram da vida do próprio autor enquanto produzia o material, com seus altos e baixos, como a vida de qualquer ser humano. Tanto é que o termo “Síndrome de Cerebus“ passou a descrever desenvolvimentos de trabalhos que, inicialmente cômicos ou superficiais, gradualmente se tornam mais sérios, complexos e dramáticos.
A importância de Cerebus como o maior trabalho autoral de todos os tempos foi listado até pelo Guinness, o livro dos recordes, que em 2020 reconheceu a obra como a maior série independente produzida por um único autor.
Neste primeiro volume, conheça as quatro primeiras aventuras de Cerebus, produzidas originalmente entre 1977 e 1978, onde o porco-da-terra é contratado para roubar uma joia de um feiticeiro maligno; em seguida é capturado em terras distantes e é envolvido em magia; tem um inusitado encontro com Sophia, a Ruiva; e, por fim, se vê às voltas com o Elrod, o Albino! Lembramos que certas semelhanças podem não ser meras coincidências!

Como adendo à campanha, a editora traz também Spawn Dez, a versão remasterizada e expandida de Dave Sim da história original de 1993 escrita por Sim e ilustrada por Todd McFarlane. Lançada lá fora em 2020 e em preto e branco, a edição traz também extras como anotações de roteiro e capas alternativas. Inédita no Brasil, a história foi pulada por aqui na época de sua publicação pela Editora Abril por conta de divergências entre Sim e McFarlane, mas, muito tempo depois, os dois artistas se acertaram e a HQ foi liberada.
Na história, após tocar na lança de Ângela, Spawn é levado por Cerebus através do 7º nível do Inferno, Érebo, onde ele vê vários heróis e vilões presos e seus criadores incapazes de soltá-los, em uma parábola sobre direito de criação do mercado de quadrinhos norte-americano.
As Espadas de Cerebus – Vol.1 reúne Cerebus (1977) #1 a 4. Capa cartonada com 96 páginas. Tradução do historiador e pesquisador Márcio dos Santos Rodrigues, revisão do gabaritado Mario Luiz C. Barroso e letreiramento da fantástica Lilian Mitsunaga, que criou uma fonte exclusiva para a edição que emula as letras manuais de Dave Sim.
Spawn Dez traz a história publicada originalmente em Spawn Ten (2020), versão remasterizada e expandida de Spawn (1992) #10, de 1993. Capa couché com 48 páginas. Tradução de Mario Luiz C. Barroso, que traduziu a grande maioria das edições de Spawn da Abril e o início da fase Pixel Media, com letras de Lilian Mitsunaga.
Além dos kits básicos com As Espadas de Cerebus e Spawn Dez, há também opções de recompensas com pôsteres, trazendo as capas alternativas de Spawn Ten, incluindo cards (no formato de cartões postais) com reproduções das capas originais de Cerebus #1 a 4. Lembrando que as primeiras 72 horas oferecem 20% de desconto no kit básico.

Cerebus apareceu aqui em Tartarugas Ninja: Coleção Clássica #2 da Pipoca & Nanquim, diziam que talvez nunca seria publicado, Sim nunca licenciou pra fora dos Estados Unidos, a extinta HQM tinha prometido essa Spawn 10 e não publicou.
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Bom dia Quiof! Sim, sim, exatamente isso. A HQM ia publicar em Spawn Origens, porém, a licença venceu e a editora não conseguiu lançar à época. E, sim também, consideremos a primeira aparição de Cerebus no Brasil no material clássico das Tartarugas Ninja. Valeu pelo comentário! Grande abraço!
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